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Apresentação de resultados: Projeto de valorização do Museu Regional de Beja
16-06-2017
Apresentação de resultados: Projeto de valorização do Museu Regional de Beja

Na manhã do próximo dia 17 de junho de 2017, em cerimónia presidida pelo Senhor Ministro da Cultura, Dr. Luís Filipe de Castro Mendes, serão apresentados ao público os resultados da primeira fase do programa de Valorização do Museu Regional de Beja 2016/17, efetuados no âmbito do protocolo estabelecido entre a Direção Regional de Cultura do Alentejo, a CIMBAL (Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo), que tutela o Museu, o CEAACP (Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património), da Universidade de Coimbra e o Laboratório HERCULES, da Universidade de Évora. Este programa mereceu o apoio mecenático da Fundação Millennium bcp, no âmbito do seu programa de apoio à recuperação e valorização do património cultural.

Foram selecionadas duas peças extraordinárias do importante acervo do Museu Regional Rainha Dona Leonor, de Beja: uma escultura romana do século I e uma pintura portuguesa dos séculos XV/XVI, que, após um criterioso e profundo processo de investigação e tratamento, serão novamente apresentadas publicamente, em simultâneo com os resultados dos trabalhos já realizados.

O busto esculpido em mármore, até agora apresentado como "...cabeça de estátua romana... figura masculina...", pode ser identificado com certeza, graças ao trabalho desenvolvido pelos investigadores do CEAACP, como sendo uma representação de Júlio César, o primeiro imperador romano.

Juntando os dados de estudos comparativos com os raros retratos anteriormente identificados noutros pontos do Império, com os resultados da investigação arqueológica da cidade, que confirmam a sua romanização em período tardo-republicano, é agora possível confirmar a hipótese antes levantada por outros investigadores. Assim, após um trabalhos de registo pormenorizado, de conservação e de nova apresentação museográfica, podemos, a partir de agora, no Museu Regional de Beja, mostrar um dos raros retratos do Imperador.

O Ecce Homo, é uma pintura sobre madeira representando Cristo velado, depois de flagelado, coroado de espinhos, exibindo a dor e o sofrimento que hão de salvar a Humanidade. Trata-se de um tipo de representação presente na pintura portuguesa do início da era moderna, sendo os exemplares mais conhecidos, além deste de Beja, os que integram as coleções do MNAA (Museu Nacional de Arte Antiga), de Lisboa e o do Museu do Convento de Jesus, de Setúbal. A atribuição cronológica destas pinturas, incluindo a do MNAA, era fixada, genericamente, no século XV, contudo, a partir das datações dendrocronológicas da madeira que suporta as pinturas, a cronologia destes dois exemplares teve que ser remetida para a segunda metade do século XVI. A grande novidade reside na datação pelo mesmo método, realizada no âmbito do projeto, da madeira que suporta a pintura de Beja e que a remete para o último quartel do século XV, deixando em aberto a possibilidade de este exemplar ser, de facto, anterior aos demais, de finais do século XV ou inícios do XVI.

Em síntese, o plano de trabalho cumprido, que compreendeu estudos analíticos e intervenções de conservação desenvolvidos no Laboratório HERCULES, no CEAACP e no laboratório do CACMB (Centro de Arqueologia Caetano de Melo Beirão), CMO/DRCAlentejo, Ourique, permitiu trazer à luz novos conhecimentos sobre as obras selecionadas, nomeadamente, a identificação do retratado na escultura romana e a datação do suporte da pintura, além da melhoria das suas condições de apresentação ao público.

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