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PARABÉNS Estremoz! DRCAlentejo felicita Município, artesãos e toda a equipa
09-12-2017
PARABÉNS Estremoz! DRCAlentejo felicita Município, artesãos e toda a equipa

O Figurado de Barro de Estremoz acaba de obter a sua inscrição na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade. A decisão foi tomada durante a 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da Organização para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO, a decorrer na Coreia do Sul, até 9 de dezembro.

A Direção regional de Cultura do Alentejo felicita o Município, artesãos e toda a equipa envolvida na candidatura, da responsabilidade da Câmara Municipal de Estremoz, ancorada e desenvolvida pelos serviços técnicos do respetivo Museu Municipal. A candidatura foi apresentada no desenvolvimento de um processo de investigação e salvaguarda que passou pelo registo deste figurado no Inventário Nacional do PCI, de acordo com o exigido no artigo 10º do decreto lei 139/2009, de 15 de junho, processo que contou com a colaboração e apoio técnico da Direção Regional de Cultura do Alentejo e se encontra totalmente acessível ao público em: www.matrizpci.dgpc.pt

Nos termos da lei, o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial constitui-se como medida fundamental para a salvaguarda do PCI em Portugal, e a sua utilização para fins de inscrição de manifestações imateriais representa condição indispensável para sua eventual candidatura à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade ou à Lista do Património Cultural Imaterial que Necessita de Salvaguarda Urgente.

A especificidade do Figurado de Barro de Estremoz e o reconhecimento de que se trata de um património vivo constituem a base metodológica do reconhecimento do valor do Património Imaterial e é esse valor que acaba de ser distinguido pela UNESCO, com particular importância para a continuidade e salvaguarda da prática num contexto de sustentabilidade económica, social e cultural.

A Produção de Figurado de Barro de Estremoz é património cultural imaterial pertença da comunidade produtora desta cidade e agora de dimensão e reconhecimento mundial. A modelação, que tem por base a placa, o rolo e a bola de barro, com face de molde, e o singular "vestir" da Figura, obteve a merecida distinção especial no contexto português e agora também internacional.

É fundamental proteger este património, em primeiro lugar relativamente ao modo de produção, conservando a sua especificidade e consequentemente parte da identidade desta arte popular portuguesa mas, para além da técnica e da expressão próprias, destaca-se a continuidade temporal desta produção em Estremoz que remontará, segundo as fontes existentes, pelo menos do século XVII.

Este modo singular de trabalhar o barro que em Estremoz nasce e se desenvolve ao longo dos séculos até se tornar identitário de uma comunidade e de uma região, não tem paralelo, sendo a tradição tão particular que chega a introduzir-se nas expressões populares: 

 "(...) se queres filhos à tua vontade manda-os fazer a Estremoz (...)"
 "(...)se queres noiva como desejas, no outeiro em Estremoz pintam-se à vontade e são boas de génio(...)
 "S'eu quisesse amar bonecos, Mandav'os vir de Stramores; Vergonha da minha cara, S'eu contigo tinh'amores"...

Muitos parabéns aos "Bonecos"!

 


Figurado em Barro de Estremoz

Caracterização

O Figurado em Barro de Estremoz é um tipo de produção, de carácter artesanal, identificado em exclusivo com o centro de produção que lhe confere a designação, e de que constituem principais marcas identificativas o seu processo de modelação, a diversidade e carácter único dos modelos produzidos, assim como o respetivo carácter estético, expresso em particular na sua viva policromia.

As origens do Figurado de Estremoz remontam ao séc. XVII/XVIII, conforme documentado em diversas fontes e coleções nacionais, em particular a do Museu Municipal de Estremoz e encontram-se intimamente ligadas à produção de imaginária devocional, nomeadamente imagens de "Nossa Senhora da Conceição" e "Santo António", a que acresce, em finais do séc. XVIII, a produção de "Presépios", em todos os casos destinados a consumo por parte das classes populares.

A partir de meados do séc. XIX ocorre uma primeira alteração na produção de Figurado, expressa na sua miniaturização, simplificação formal e autonomização de Figuras originalmente associadas ao "Presépio", tais como representações de ofícios tradicionais e de atividades do quotidiano.

Esta produção entrou em decadência em finais de séc. XIX, quando apenas duas famílias de barristas se encontravam em atividade, tendo a tradição sido recuperada em 1935 graças ao trabalho do escultor José Maria Sá Lemos (1892-1971), então diretor da Escola Industrial António Augusto Gonçalves, em Estremoz. Este  será o momento do início do ciclo que se mantém até o momento na produção do Figurado em Barro de Estremoz, caracterizado, pelo papel desempenhado por várias entidades na viabilidade e valorização da tradição - a nível local, regional, nacional ou mesmo internacional - , pela definição formal dos tipos de Figurado considerados como identificativos da tradição local, pela reinterpretação de anteriores tipos de Figurado e pela introdução de novos modelos inspirados em tradições externas ao centro de produção de Estremoz.

Produção
Uma Figura de Barro de Estremoz pertence a uma tipologia de artesanato comerciável, com uma modelação singular, assente na produção de figuras de barro com uma antiga matriz sagrada e profana, com uma história multisecular.

Os produtores tradicionais trabalham somente na cidade de Estremoz, sendo estes Afonso Ginja, Duarte Catela, Fátima Estroia, Irmãs Flores, Maria Luísa da Conceição e Ricardo Fonseca
Em termos da produção de uma Figura, esta define-se por ser composta por diversas partes unidas entre si, sendo a bola, o rolo e a placa os elementos base de qualquer Figura. A primeira parte a ser realizada é a base, feita por intermédio de um pedaço de barro espalmado por ação de uma palmatória. De seguida o artífice fura na placa no local da base onde vai assentar a Figura (de forma a este não rebentar durante a cozedura).

A próxima tarefa - o corpo da peça, por intermédio de um rolo grosso. Se é uma figura feminina escava-se com uma faca o fundo desse rolo de barro, por forma a realizar a saia. Com os dedos aperfeiçoa-se a saia e prepara-se o tronco do boneco.

Com uma bola de barro, e um molde faz-se a face e depois o pescoço (as faces são feitas, desde sempre, com recurso a molde, sem bem que atualmente alguns barristas abdiquem destas formas). Com um teco (palheta na gíria dos artesãos) risca-se o cabelo. Liga-se posteriormente esta peça ao tronco com barbutina (lamugem na gíria bonequeira).

Coloca-se depois a Figura sobre a base, unindo as partes com a cola dos barristas ? a barbutina. Passa-se para os braços, realizados por intermédio de um rolinho fininho. Corta-se a extremidade que liga aos ombros. Faz-se a mão, espalmando-se a extremidade do braço menos grossa, e depois, através de um conjunto de incisões feitas com um teco, executam-se os dedinhos. Unem-se os braços ao tronco com barbutina. Colocam-se os braços na posição tradicional da Figura que se quer modelar.

De seguida, passa a vestir-se a peça, outra das formas de modelação identificativas e próprias de Estremoz. Depois de estender um pedaço de barro com um rolo de madeira, corta-se o centro dessa placa com navalha, fazendo as roupas que se pretendem. Veste-se então a Figura com o cuidado de deixar as roupas direitinhas. Deixa-se a Figura secar (durante a modelação convém deixar secar a peça durante as fases da união das várias partes).

Vai a cozer à Mufla a 900cº. Se na cozedura a Figura sofreu empenos, ou se rachou, a peça é destruída. Se está conforme os padrões de qualidade do artífice, segue para a pintura. Pinta-se a Figura com têmperas ou óxidos, misturados com cola branca. Sobre a pintura seca é colocado um verniz, para acabamento final. A Figura fica pronta para venda.

Esta tipologia de modelação é comum a todos os artificies, salvo pequenas inovações muito localizadas e pessoais.

Instrumentos usados no quotidiano produtivo dos barristas:


  "Mãos": O mais valioso instrumento de trabalho são as "mãos". Com os dedos executa-se quase toda a Figura, modelando cabeça, tronco, membros e adereços vários que fazem a composição da Figura ou do Conjunto;

Faca: Essencialmente para escavar e cortar as placas de barro para fazer a roupa das Figuras;

Arame: Para cortar o barro, nomeadamente quando queremos retirar um pedaço de um bloco grosso. O arame serve também para ir fazendo furos na Figura, de modo a evitar que esta "rebente" na cozedura. Serve também para realizar partes de Figuras, como o arco da "Primavera".

Tecos: Para retocar a face quando se utilizam moldes e para fazer pequenas incisões que aperfeiçoam o realismo da Figura e seus adereços;

Moldes em Cartão: São utilizados apenas por Maria Luísa da Conceição (herdando-os de seu pai, Mariano da Conceição);

Molde da Face
: Os barristas tradicionais têm um molde que normalmente utilizam para os rostos das Figuras. Estas são uma das suas marcas de autor, sendo facilmente distinguíveis.

Pinceis: Utilizados na aplicação da lamugem para colagem e para pintura das Figuras. São também utilizados para colocação do verniz no acabamento da peça;

Mufla: Forno moderno a eletricidade, utilizado para as barristas cozerem as Figuras a temperaturas entre os 800Cº e 900Cº.

Palmatória
: para bater o barro e fazê-lo adquirir forma de placa;

Placa de Mármore:
Base na qual trabalham os barristas, já que impede que o barro se cole;

Mesa: De variadas dimensões, os barristas executam o seu trabalho sobre uma mesa;

Frascos:
Recipientes atualmente em vidro, ou plástico reciclado (frascos de iogurtes), onde têm as tintas garridas com que pintam as Figuras, bem como água para ir molhando e lavando os pinceis. Há também um frasco com lamugem, para ir colando as peças ao longo da montagem;

Pano:
para ir limpando restos de barro e sujidade diversa que se vai fazendo na mesa.

A produção é efetuada em contexto oficinal, casos de Duarte Catela, Fátima Estroia, Irmãs Flores e Ricardo Fonseca, havendo artesãos que abdicam, por questões económicas, de um espaço próprio e independente da habitação, tendo para tal uma divisão da sua casa adaptada, caso de Maria Luísa da Conceição.

Onde há mais de um barrista a trabalhar, caso Irmãs Flores (duas irmãs, mais um sobrinho), a produção é executada somente em contexto familiar. As Irmãs Flores, por vezes, têm a ajuda de uma senhora para auxiliar exclusivamente na pintura, nunca na modelação. Fátima Estroia também recorria no passado a mulheres para a pintura.

O Contexto Museológico
As coleções de Figurado de Barro de Estremoz, de índole museológica, começaram a formar-se nas primeiras décadas do séc. XX muito por ação de etnógrafos como Luís Chaves. A primeira que se adquiriu foi para o antigo Museu de Etnologia, hoje Museu Nacional de Arqueologia, que comprou através de Luís Chaves um conjunto de peças à última barrista em atividade à época, Gertrudes Rosa Marques.

Entretanto outras se formaram em museus nacionais, regionais e locais, onde a expressão da arte popular era mais forte. O grande processo de musealização ocorreu a partir da década de 40, quando diversos museus do Alentejo, Centro e Norte do país adquirem coleções para completarem a sua representação de Figurado em barro, com a tipologia de modelação única de Estremoz. Temos os exemplos do Museu Rural e do Museu Municipal de Estremoz, do Museu do Artesanato e Design de Évora, do Museu de Olaria de Barcelos ou do Museu Grão Vasco bem como do Museu Nacional de Etnologia que continua a adquirir peças para completar a coleção já detida.
Quanto ao Museu de Estremoz, não sabemos se já teria figurado local no seu acervo quando é constituído em 1880, porém é de admitir esta hipótese. No Livro de Inventário iniciado em 1929 são indicadas diversas incorporações: uma, indicada no item 127, dada a Emídio Viana, outra no item seguinte. Provavelmente estas Figuras até serão de entrada anterior (14 Figuras); Em 1941, no item 250, o inventário refere-se a aquisição à Escola Industrial de outro conjunto de peças, modernas, realizadas por Ti Ana das Peles ( 70 Figuras).

Em 1971 a Câmara Municipal de Estremoz adquire para este Museu a célebre coleção Reis Pereira,  composta por 375 peças ("Escritura de compra e venda entre a Câmara Municipal de Estremoz e Engenheiro Júlio Maria dos Reis Pereira e esposa Dona Maria Augusta da Silva Ventura Reis Pereira", 23 de Julho de 1971, in Livro de Escrituras Diversas da Câmara Municipal de Estremoz, 24 de Fevereiro de 1970 a 08 de Fevereiro de 1975, nº42, pp.20-21v.).

Com a Feira de Artesanato (1983) foram realizadas diversas incorporações para a coleção de Figurado de Estremoz do Museu Municipal de Estremoz, todas a título de doação. Também por essa ocasião diversos particulares, conscientes da importância de preservação da memória local de algumas peças de sua propriedade, foram pontualmente efetuando doações ao Museu.

Será já no século XXI que o Museu volta a receber um novo conjunto de grandes doações, legados e faz inclusivamente uma aquisição significante. Em 2003, incorpora o legado de Prof. Joaquim Vermelho, que incluía 35 Figuras. No ano seguinte recebe outra grande doação, desta feita de Isabel Taborda, com 104 peças. Em 2005 a autarquia adquiriu a Leonor Santos, a coleção de 89 peças de Sabina da Conceição Santos. Por último, em 2013, incorporou-se o legado de José Alberto dos Reis Pereira, com 31 Figuras em Barro de Estremoz.

Assim, o Museu Municipal de Estremoz tem a mais completa coleção de Figuras de Estremoz do país, quer em termos quantitativos quer qualitativos. Trata-se de uma enorme responsabilidade, que marca esta instituição e a responsabiliza por uma ação proativa na preservação e salvaguarda de uma tradição com mais de 300 anos de existência.

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