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POÉTICA DA LUZ - OLIVEIRA TAVARES

A Direcção Regional de Cultura do Alentejo inaugurou, no passado dia 7 de dezembro, na Galeria da Casa de Burgos, em Évora, a exposição de Pintura de Oliveira Tavares - Poética da Luz , que poderá ser visitada até 11 de janeiro de 2012.

Natural de Lisboa (1961), Oliveira Tavares reside atualmente em Borba, Portugal.
Frequentou o curso de Arquitectura no Instituto Superior Técnico, o curso de Desenho do A.R.C.O. e o curso de História da Arte na Sociedade Nacional de Belas-Artes, de que é membro. Encontra-se citado no catálogo da Exposição George de La Tour (ISBN 4-906536-32-8), no Museu de Arte Ocidental (Tóquio) e no livro Ingres Regards Croisés (ISBN 2856204643), publicado em França.

Site: www.oliveiratavares.com

Horário:

Dias úteis das 09h00 às 12h30/das 14h00 às 17h30.

POÉTICA DA LUZ

A pintura de Oliveira Tavares é uma Pintura de Luz.
As suas telas sempre acrescentam luz à luz sem a dividir, sendo cada uma das suas pinceladas, um hossana dado por suas mãos a QUEM a dispensa a todos nós para que a partilhemos.
Que nos oferece o Pintor pelas suas impressivas imagens?
Muitos sentimentos que, vivenciados, ora em vigília desperta, ora por sonhos rememorados, sugerem, exprimem, chamam. pois a sua força telúrica deseja transmitir-se, comunicar, expressar-se.
Torrentes de luz, ei-los, por vezes, limpos nos azuis, quentes nos doces e fortes amarelos, verdes águas criadoras, vermelhos, quais gritos não cabem em peito generoso, mas levantados em mãos suaves, delicadas, mesmo quentes...dedos, quais pétalas perfumando o silêncio.
Há rostos, bocas, dessas carnudas, quase disponíveis, mas seladas, interiores, secretas.
então, os olhos?!
Que suavidade! Que distância. Que força de expectativa, que descida pela interioridade...
Também se ouve música nas suas telas. Uma música antiga, nascida do vento dedilhando o vazio das ânforas, qual corpo de mulher que em sonhos se ouviu, ou viveu?
Há vezes em que o Pintor escreve Dor, e tantas são as letras dessa palavra que enchem uma tela até ao desespero ou até as mãos se renderem...
Se esvoaçam anjos ou, acaso, escutam, é porque eles desejam entrelaçar-se na vida e o pintor não os dispensa.
Dissemos que Oliveira Tavares pinta a luz e que baste que o abonemos com os olhares que todas as suas telas nos oferecem: eles se nos juntam para mais sermos da Vida.
Oliveira Tavares pinta a Vida, pois não a quer para si próprio.

João Tavares
Vila Viçosa, 8 de Novembro de 2011

 Imagens da inauguração

Poderá ainda ficar a saber mais sobre a Casa Nobre da Rua de Burgos - imóvel afeto à Direcção Regional de Cultura do Alentejo - cuja Galeria acolhe esta exposição.

 

Era Uma Vez, 20 anos de Teatro de Bonecos

Galeria de Exposições da Casa de Burgos

De 11 de novembro a 2 de dezembro de 2011

No passado dia de S. Martinho, 11 de novembro, inaugurou na Galeria da Casa de Burgos, em Évora, a exposição "Era Uma Vez, 20 anos de Teatro de Bonecos",  contando com a estreia do Auto de S. Martinho, de Gil Vicente, a mais recente produção da Companhia Era Uma Vez - Teatro de Marionetas.

A exposição organizada pela Era Uma Vez - Teatro de Marionetas, em parceria com a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura/DGARTES, exibe ao público o espólio adquirido pela Companhia ao longo de duas décadas e poderá  ser visitada até dia 2 de Dezembro de 2011.

 No âmbito desta exposição serão ainda apresentados pelo Era Uma Vez (http://eraumavezmarionetas.com), durante o mês de novembro, os espetáculos: "O Bolo" (dia 15 - 10h30); "O Mistério da Pedra Encantada" (dia 17 -10h30); "O lixo do senhor Bartolomeu" (dia 22 - 10h30); "A Princesa Ziah" (dia 24 - 10h30) e "A Formiga e o Coelhinho" (dia 30 - 15h), com o apoio do Município de Évora. Estes espetáculos terão igualmente lugar na Galeria da Casa de Burgos.

Horário de visita à exposição:
De 11 de novembro (inauguração às 18h00) a 2 de dezembro
Dias úteis das 09h00 às 12h30/das 14h às 17h30.

 

D. Carlos I - Fotógrafo Amador 

De 28 de setembro a 4 de novembro de 2011     

A exposição D. Carlos I - Fotógrafo Amador, organizada pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo, com o apoio da Fundação da Casa de Bragança - Paço Ducal de Vila Viçosa, inaugurou no passado dia 28 de setembro (dia de aniversário de nascimento dos reis D. Carlos I e D. Amélia), na Galeria da Casa de Burgos, em Évora, podendo ser visitada até dia 4 de novembro.

Esta mostra do Arquivo Fotográfico do Paço Ducal de Vila Viçosa, apresenta uma seleção de 44 fotografias tiradas pelo Rei D. Carlos I, por ele legendadas, datadas e até assinadas, que se prolongam pelo período entre1887-1907, abordando  vários   temas - reportagem,  aspetos  ligados  com  a  oceanografia, vida familiar - com grande relevância para a história e para uma arte que estava no seu início - a fotografia.

Dado o seu caráter didático, esta exposição dirige-se também a um público jovem visto proporcionar uma outra abordagem da história e das artes a esta faixa etária.

Poderá consultar aqui o desdobrável da exposição:

Desdobrável (exterior)

Desdobrável (interior)

 

'Pictures from life's other side' - De 15 de julho a 26 de setembro

No passado dia 15 de julho, inaugurou, no Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa - Crato, a exposição "Pictures from life's other side", da artista plástica Barbara Walreven, organizada pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo, com o apoio da Câmara Municipal do Crato.

A exposição estará patente ao público até dia 26 de setembro de  2011.

Barbara Walraven entrelaça nas suas obras realidades duras e suaves. Na sua arte, simultaneamente, vemos estas realidades unir e colidir. Cada obra representa uma experiência complexa: o que considerávamos duro ou suave, vivo ou morto, viril ou feminino, como coisas distintas e separadas, aqui torna-se uma forma só, uma coisa. Um é o outro. As diferenças que julgávamos conhecer, aqui estão numa nova linguagem, com novas conotações.

A pele transformada em couro representa uma flor - o duro e morto torna presente o suave e feminino. Traços de adoradores nos traços das flores que cuidaram - servidão desperdiçada e descartada, o que era venerado na mortalidade fez os seus ícones. Maria, a mais abençoada, a rosa, a mais formosa.
Mas a obra de arte não transmite só um único significado. Poderemos ver uma acusação, uma denúncia, mas também uma vontade de ressurreição, ou de recuperação. O morto com persistência recupera a vida; inversamente, o vivo e frágil cobre-se com disfarces cariados e sombrios.
Pele lançada sobre um esqueleto: ajudará a esconder alguma coisa - o antigo servilismo ou submissão? Ou estará o esqueleto a reconquistar a vida, é esta a sua forma de deixar para trás os sombrios tempos idos? O resultado faz-nos tremer, instila receio, mas não nos toca também? Que último esforço corajoso, que vontade de viver. Essas aparições assustadoras, seremos nós?
E aquelas pedras, não participam elas também na denúncia, ou numa vingança? Aqui as lápides não sustentam nomes de personalidades, mas as novas imagens que silenciam a velha voz, expressando outros passados. Mas, felizmente! Existe a mais terna das artes de pintura, a aguarela.
Aliviados podemos agora matar a nossa sede por consolo. Aliviados? Contudo, teremos que olhar com mais atenção.

É este um mundo de homens, um mundo de mulheres, um mundo de híbridos a lutar pelo seu caminho além dos limites existentes? É a flor de couro o ícone deste mundo? O que vamos chamar a este mundo? Ou será que primeiro teremos que aprender a considerá-lo melhor?

Concedido, o nosso olhar encontra pouca suavidade no mundo de Barbara Walraven. É trabalho duro e arte trabalhosa que aparecem em primeiro lugar. Mas eles pedem algo de nós. 

Pedem uma imaginação que mantém visível o suave no duro e que permite que o suave exista precisamente graças ao endurecimento. A pele espessa, bronzeada e rija, prova-se receptiva ao belo e funde-se com ele. Transitoriedade dá luta e o servilismo lança-nos as suas verdades perseveras. Graças à resistência e à não vergável, surgem novas expressões.

Onde pertence o trabalho, onde a criatividade? Onde o feminino, onde o masculino? Onde existe a natureza, no seu florido ou seus aspectos calejados? Confunde a arte de Walraven o nosso olhar, ou estava já este olhar confundido por tudo o que julgávamos apropriado ver?

Judith Vega

Algumas imagens da exposição:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fique também a saber mais sobre o Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa, monumento afeto à Direcção Regional de Cultura do Alentejo.

 

Alcácer do Sal nos Últimos Três Milénios - a confluência de culturas - De 3 de agosto a 24 de setembro

A Galeria da Casa de Burgos acolhe, desde o passado dia 3 de agosto, a Exposição Alcácer do Sal nos Últimos Três Milénios - a confluência de culturas, organizada pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo, com o apoio da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

A presente exposição inclui espólio proveniente do castelo e outros locais do concelho de Alcácer do Sal, englobando materiais cerâmicos de uso quotidiano, entre outros, bem como, diversos metais.

Cronológicamente os materiais expostos vão desde a Idade do Ferro até à Época Contemporânea.

Esta exposição estará patente até dia 24 de setembro, podendo ser visitada de 2.ª a 6.ª feira das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.

 

Arte Pastoril Alentejana
De 15 de junho a 15 de julho de 2011

No próximo dia 15 de Junho, às 18h30, a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, em colaboração com a Câmara Municipal de Estremoz, Museu Rural de Estremoz e Casa do Povo de Santa Maria, inaugura em Évora, na Galeria da Casa de Burgos, a exposição Arte Pastoril Alentejana.

 A Arte Pastoril alentejana - manifestação artística ligada a horas de pesado isolamento de pastores de outras épocas, à sua criatividade e às matérias-primas que a natureza lhes oferecia - mostra-nos um diversificado e muito interessante conjunto de peças utilitárias, tão diversas como as cornas, os canudos de ceifa, as caixas, as colheres, ou outras de grande valor etnográfico, esculpidas pelo pastor que as decorava conforme a sua sensibilidade.

A exposição integra peças do Museu Rural de Estremoz e de colecionadores particulares do Alentejo, podendo ser visitada até dia 15 de Julho, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.

Mais informação:
Direcção Regional de Cultura do Alentejo
T. (+351) 266 769 450 - Página Web: www.cultura-alentejo.pt

 

Exposição 09/04/11 - 20/05/11 

Mário Palma . Rodrigo Bettencourt da Câmara . Teresa Palma Rodrigues

Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa -Crato
De 9 de Abril a 20 de Maio de 2011

De 9 de Abril a 20 de Maio, no Mosteiro da Flor da Rosa, no Crato, estará patente "09.04.2011 - 20.05.2011", uma exposição que congrega os trabalhos de Mário Palma, Rodrigo Bettencourt da Câmara e Teresa Palma Rodrigues.
O título desta exposição remete directamente para o espaço de tempo no qual cada  interveniente fará confluir os seus trabalhos numa lógica expositiva de conjunto.

Mário Palma convida-nos a entrar e descodificar INCOMPLET BOX. Um objecto ideia tornado visível por "Experimenters", personagens inventados que interpretam o espaço e produzem objectos com sensibilidades e intenções individuais."Matrix . Projecção#1" constitui o primeiro instante da revelação de INCOMPLET BOX.

Rodrigo Bettencourt da Câmara apresenta 4 fotografias da série "White Walls" contextualizadas em "Works in Progress". As imagens, complementadas com uma faixa sonora, mostram espaços expositivos preparados para serem intervencionados. A captura das imagens é feita através de uma exposição longa onde só o registo do que é permanente se revela nitidamente. De pessoas e objectos que atravessam o enquadramento, apenas se registam leves transparências indecifráveis reveladas pelo som das suas acções.

Teresa Palma Rodrigues volta a utilizar a tela simultaneamente como suporte e como elemento pictórico."Mesa Póstuma" é uma instalação na qual a tela é usada como objecto sobre uma mesa, abandonando o carácter de mero ecrã de representação, propondo uma reflexão sobre a omnipresença da herança cultural do Ocidente e apropriando-se da própria História da Arte (sugerindo um paralelo entre a Arte e o Divino ou um questionamento acerca da presença e da ausência do mesmo).

 

Mais informação:
Direcção Regional de Cultura do Alentejo
Rua de Burgos, 5
7000 - 863 ÉVORA
T.: 266 769 450 - F.:266 769 451- E-mail: info@cultura-alentejo.pt

 

Exposição Têxteis de Nisa

Galeria de Exposições da Casa de Burgos - Évora
De 18 a 31 de Março de 2011



No próximo dia 18 de Março, às 18h30, será inaugurada a exposição Têxteis de Nisa, organizada pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo em colaboração com o Museu do Bordado e do Barro - Câmara Municipal de Nisa, que terá lugar na Galeria de Exposições da Casa de Burgos, em Évora.

A exposição incluirá os característicos alinhavados ou crivos de Nisa, o bordado de faixa -  bordado de aplicação em feltro - e ainda as rendas nisenses - rendas de bilros e frioleiras.
Amplamente reconhecidos pelas suas extraordinárias qualidades, constituíram-se como uma das expressões mais características da identidade de Nisa.

No âmbito da  exposição realiza-se  no dia 23  de  Março,  pelas 18h30,   a  conferência Nisa. Uma terra para muitos bordados, a cargo da Dr.ª Ana Pires, que terá lugar na mesma galeria.

Mais informação:
Direcção Regional de Cultura do Alentejo
Rua de Burgos, 5
7000 - 863 ÉVORA
T.: 266 769 450
F.:266 769 451
E-mail: info@cultura-alentejo.pt

 

CANDEEIROS DE AZEITE DO MUSEU DE ÉVORA - Colecção Margiochi

Galeria de Exposições da Casa de Burgos - Évora
2 de Fevereiro - 4 de Março 2011

 

 


Poderá ser visitada na Galeria de Exposições da Casa de Burgos, em Évora, até ao próximo dia 4 de Março de 2011, a exposição Candeeiros de Azeite do Museu de Évora - Colecção Margiochi, organizada pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo, com o apoio do Museu de Évora/Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) e a colaboração da Universidade de Évora/Programa Hércules.

Constituída por 24 candeeiros de azeite, em latão, situados cronologicamente entre os séculos XVIII e XX - esta mostra é muito representativa tanto da Colecção Margiochi do Museu de Évora, como também do universo destes candeeiros. 

Mais informação:
Direcção Regional de Cultura do Alentejo
T.:266 769 450
F.:266 769 451
E-mail: info@cultura-alentejo.pt


 

Pano de Altar 

Margarida Lagarto, 2010

Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa
1 de Outubro - 5 de Dezembro

 
das memórias do antigo mosteiro arruinado margarida lagarto  retinha o impacto do grande maciço de pedra que marcava o lugar do altar.

o reencontro com o espaço e a possibilidade de aqui intervir encaminhou-me inevitavelmente para aquele lugar ...

o pano de altar resulta da recolha de elementos das pedras de fecho das abóbadas, reinventados em formas geometrizantes e suportes extremamente frágeis que afrontam a solidez e depuração do espaço construído.

foram usadas 486 folhas de papel vegetal, recortadas e unidas com alfinetes.

margarida lagarto, nasceu em veiros em 1954
formou-se na escola antónio arroio e foi aluna do curso de artes plásticas da escola superior de belas artes de lisboa (esbal)
vive e trabalha em évora

Exposição organizada pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo/Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa e Câmara Municipal do Crato, com o apoio de Pousadas de Portugal. 


*  *  *  *  *
                                                                 

A recente intervenção de conservação e afectação a novos usos do Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa possibilitou o desenvolvimento de um projecto desde há muito pensado pelas diversas entidades da tutela com responsabilidades directas na gestão deste monumento nacional, que tinha por objectivo central a devolução do imóvel à fruição pública com um projecto cultural de qualidade que contribuísse, não só para trazer público ao monumento, mas que pudesse igualmente reforçar a oferta cultural da região.

Neste contexto, a reserva de espaços para apresentação de exposições temporárias é uma das vertentes que aqui se encontram asseguradas, nomeadamente pela utilização da grande nave da antiga Igreja do Mosteiro e respectiva Sacristia, o que nos permite desenvolver e apresentar projectos contemporâneos no domínio das artes plásticas. Para o efeito, fundamental é a parceria estabelecida com o Município do Crato, com quem partilhamos uma experiência nova no plano da gestão de monumentos e sítios, garantindo a abertura regular do monumento, as visitas guiadas, o trabalho de serviço educativo, e toda a logística inerente aos transportes de obras de arte e montagem de exposições.


Aurora Carapinha
Directora Regional de Cultura do Alentejo

 

Mais informação:
Direcção Regional de Cultura do Alentejo
T.: 266 769 450

 

Rinoceronte Objectos e Pintura

 

Exposição Temporária

Inaugurada no passado dia 10 de Abril, pela Directora Regional de Cultura do Alentejo e o Presidente da Câmara Municipal do Crato, a Exposição Rinoceronte Objectos e Pintura poderá ser visitada, no Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa, no Crato, até ao dia 31 de Julho de 2010.

Paris 1969
O rinoceronte repousava. Silencioso, enchia o espaço que uma gravura ocupava numa parede, na casa que o pintor habitava.
Já não era o original, esse que o Dürer tinha gravado com base nas descrições e prováveis registos gráficos, realizados a partir do animal oferecido ao Rei D. Manuel pelo Sultão de Cambaia e que teria enchido de espanto, não somente os portugueses do século XVI, mas igualmente os povos da Europa central que, através das feitorias detidas pelos portugueses na Flandres, dele tiveram conhecimento.
Não era igualmente o que, em breve, se viria a tornar.
Nesse ano de 1969, o pintor Renato Cruz tentava o seu ingresso na Escola Superior de Artes Decorativas de paris. A candidatura obrigava à entrega, para apreciação, de um dossier, forçosamente anónimo.
Na procura do pseudónimo necessário à identificação da sua candidatura, deu-se o encontro entre o Renato Cruz e o Rinoceronte. É neste contexto que o paquiderme irá hibernar, após a sua fugaz aparição, para reaparecer mais tarde, a partir dos anos oitenta e já em Portugal, saído da letargia em que, até então, se encontrara.
Esta Nova etapa irá ficar associada à criação de objectos realizados com recurso a uma gama diferenciada de materiais reciclados, com predomínio para a pasta de papel.

O desafio criativo que o Rinoceronte coloca a si próprio é o da exploração exaustiva das possibilidades plásticas, formais e estruturais oferecidas pelos materiais que vai recolhendo do seu quotidiano. É assim que, na sua obra, é visível o encontro entre a simplicidade formal, quase artesanal. E a cultura plástica, social, histórica e literária que a percorre.

Nesta exposição, agora patente na Flor da Rosa, o público terá, a oportunidade de desvendar o universo poético, mas igualmente crítico e mordaz, característico do entendimento estético do mondo peculiar em que este Rinoceronte se move.

Manuel Gil


* * * *

Rinoceronte precocemente resolveu escolher como seu século não este, o de vinte e um, o dos nossos dias, mas outro, o décimo segundo dos poetas árabes de Cacela e de outras taifas. Desta sorte, corria todas as manhãs com grande rapidez quando ia para a escola, ali para os lados de Vila Real de Santo António. O chifre, o seu, era Andaluz e jovem e impunha-se por ser mais poético que curvo.
Um detalhe estimava ao fazer esse caminho: correr correr correr sem outros inimigos e por entre as alfarrobeiras as laranjeiras as figueiras e os limoeiros. E logo limoeiros lunares, expressão tão sentida que um dia ouvira naquele lugar do mundo entre a serra e o mar!
Todavia, diziam-lhe que tinha de ser mais forte mais selvagem mais encorpado senão havia quem desejasse a sua pele para fazer coletes ou, voltando ao chifre estimado, quem o cobiçasse para desfazer em pó na indústria farmacêutica.
Rinoceronte não gostou do que ouvia e pensou em partir. Lisboa, Paris, ou Viena eram alguns dos sítios que sonhou. À partida, Viena onde nunca estivera mas tão bem conhecia por ouvir frequentemente o nocturno de Schubert, estava excluída. Paris, bem, em Paris já não havia pedras sadias como as que ainda há no Alentejo. Restou Lisboa e assim escolheu.
Faltava, porém, o engenho para dar o salto. Era um dos Natais do fim da década de cinquenta e quando na escola lhe exigiram uma redacção sobre essa data festiva, Rinoceronte esfregou as patas e contentamento tornou a coçar com alegria o seu chifre mais poético que curvo e escreveu sobre o nascimento de Jesus da Galileia confundindo deliberadamente Jesus da Galileia com Jesus da Reboleira, Jesus Nazareno com Jesus Baiano ou ainda Jesus da Terra-Nova com Jesus-Norte-Sul.
Rinoceronte acertara em cheio! As seis ou sete linhas deixadas na leve folha amarelada obrigaram-no a deixar os campos em volta de Castro Marim e rumou a Lisboa. Hoje, Rinoceronte vive na Rua da Madalena, eu tenho o hábito de ir roubar arte a sua casa, e como Virginia Woolf um dia escreveu NADA EFECTIVAMENTE ACONTECE ATÉ TER SIDO ESCRITO...

Carlos Mota de Oliveira


Mais informação:
Direcção Regional de Cultura do Alentejo
T.: 266 769 450

 

Flor da Rosa - Escultura de João Cutileiro

cartaz - Flor de rosa

Exposição Temporária

FLOR DA ROSA – Escultura de João Cutileiro  

até 5 de Outubro de 2009

Em 1982, Sílvia Chicó, num ensaio sobre João Cutileiro, falava na sua, até então, escassa obra de estatuária pois o escultor, apesar de vir sendo cada vez mais reconhecido internacionalmente, não tem grandes encomendas públicas, nem condições de trabalho outras senão as que ele próprio conseguiu criar(...) e, relativamente ao futuro questionava se o país merece um artista como Cutileiro e se o mesmo artista terá as condições de trabalho que lhe são devidas...

Quase trinta anos volvidos, o artista escolheu o país e as condições de trabalho continuam a ser as que criou... A estatuária, contudo, é abundante e do “estaleiro” de João Cutileiro saíram algumas das mais significativas obras de arte pública em Portugal de que o público pôde ter uma visão de conjunto com a exposição “Pedras na Praça” (Silves 2007 - itenerante) onde foi reunido um número importante de maquetas, desde o D. Sebastião (Lagos, 1973), passando pelo Monumento ao 25 de Abril (Lisboa,1997) às intervenções para a Expo 98 ou ao Grande Barco no Centro Cultural de Macau(1999).

A exposição da Flor da Rosa acontece agora um pouco como com a relação do artista com o país, o espaço chamava-o e o coração escolheu-o. Depois tudo pareceu tão natural – a selecção das peças e a sua adaptação ao espaço, ou as ligações iconográficas e estéticas ao lugar.

Não tivemos qualquer intenção de produzir uma exposição de carácter retrospectivo mas, na verdade, acabámos por seleccionar peças que abrangem alguns dos temas de eleição do trabalho de João Cutileiro. Será o “espírito do lugar” da Flor da Rosa; desde logo o topónimo, invocador da sede da Ordem Hospitalária, a Ilha de Rodes, ao tempo conhecida como Ilha das Rosas e a rosa que se repete no símbolo heráldico dos cavaleiros de S. João; o aspecto inexpugnável  da arquitectura religiosa e militar; os apontamentos da elegância clássica da renascença quando ao Mosteiro se junta um Paço; a imponência da igreja agora dessacralizada e vazia, onde se guarda apenas a memória material do túmulo de um monge/guerreiro...

A força do espaço e a presença da pedra terão animado João Cutileiro aquando de uma recente visita ao Mosteiro, recuperado para a visita pública após mais de dez anos de desigual convívio com uma unidade hoteleira das Pousadas de Portugal, que desde 1995 ocupa parte das antigas instalações monásticas.

Confrontados com a imponência do espaço era praticamente evidente a relação com as pedras de Cutileiro. As primeiras ideias remeteram para os guerreiros, tema trabalhado intensamente nos anos de 1960 e 70, em relação/reacção à guerra colonial que então marcava fortemente a vida nacional -  aqui os guerreiros serão guardiães do lugar, estes homem/máquina assemblados e paralisados no tempo confrontam a nossa obsessão por fixar um monumento no tempo e numa memória.

Exposição Flor da Rosa


Esta Flor da Rosa, do universo temático das Flores, Frutos e Pássaros, pertence a um conjunto especialmente executado para uma exposição de homenagem ao fotógrafo Robert Mapplethorpe e ocupa aqui um lugar chave na ténue linha entre passado e  presente.

As árvores pediram para entrar e parece fundirem-se com as mulheres que aqui se recolheram, delicadas, despudoradas e frágeis. Tomam conta da grande nave onde outrora homens de guerra oraram a uma outra virgem.


Ana Cristina Pais

 

 

"ou: do avesso" - Exposição de Pintura de Augusto Rainho

Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa
De 30 de outubro a 8 de janeiro de 2012

"ou: do avesso",  exposição de pintura  de Augusto Rainho, organizada pela Câmara Municipal do Crato e Direcção Regional de Cultura do Alentejo, patente no Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa - Crato.

A exposição integra 25 obras de Augusto Rainho - pintor, fotógrafo, professor e designer, que nasceu, vive e trabalha em Castelo de Vide - podendo ser visitada até dia 8 de janeiro de 2012, no seguinte horário:

Dias úteis:
Das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h30 

Fim de semana
Das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h00

Mais informações
T. (+351) 245 997 341

 

POÉTICA DA LUZ - OLIVEIRA TAVARES

A Direcção Regional de Cultura do Alentejo inaugurou, no passado dia 7 de dezembro, na Galeria da Casa de Burgos, em Évora, a exposição de Pintura de Oliveira Tavares - Poética da Luz , que poderá ser visitada até 11 de janeiro de 2012.

Natural de Lisboa (1961), Oliveira Tavares reside atualmente em Borba, Portugal.
Frequentou o curso de Arquitectura no Instituto Superior Técnico, o curso de Desenho do A.R.C.O. e o curso de História da Arte na Sociedade Nacional de Belas-Artes, de que é membro. Encontra-se citado no catálogo da Exposição George de La Tour (ISBN 4-906536-32-8), no Museu de Arte Ocidental (Tóquio) e no livro Ingres Regards Croisés (ISBN 2856204643), publicado em França.

Site: www.oliveiratavares.com

Horário:
Dias úteis das 09h00 às 12h30/das 14h00 às 17h30.

POÉTICA DA LUZ
A pintura de Oliveira Tavares é uma Pintura de Luz.
As suas telas sempre acrescentam luz à luz sem a dividir, sendo cada uma das suas pinceladas, um hossana dado por suas mãos a QUEM a dispensa a todos nós para que a partilhemos.
Que nos oferece o Pintor pelas suas impressivas imagens?
Muitos sentimentos que, vivenciados, ora em vigília desperta, ora por sonhos rememorados, sugerem, exprimem, chamam. pois a sua força telúrica deseja transmitir-se, comunicar, expressar-se.
Torrentes de luz, ei-los, por vezes, limpos nos azuis, quentes nos doces e fortes amarelos, verdes águas criadoras, vermelhos, quais gritos não cabem em peito generoso, mas levantados em mãos suaves, delicadas, mesmo quentes...dedos, quais pétalas perfumando o silêncio.
Há rostos, bocas, dessas carnudas, quase disponíveis, mas seladas, interiores, secretas.
então, os olhos?!
Que suavidade! Que distância. Que força de expectativa, que descida pela interioridade...
Também se ouve música nas suas telas. Uma música antiga, nascida do vento dedilhando o vazio das ânforas, qual corpo de mulher que em sonhos se ouviu, ou viveu?
Há vezes em que o Pintor escreve Dor, e tantas são as letras dessa palavra que enchem uma tela até ao desespero ou até as mãos se renderem...
Se esvoaçam anjos ou, acaso, escutam, é porque eles desejam entrelaçar-se na vida e o pintor não os dispensa.
Dissemos que Oliveira Tavares pinta a luz e que baste que o abonemos com os olhares que todas as suas telas nos oferecem: eles se nos juntam para mais sermos da Vida.
Oliveira Tavares pinta a Vida, pois não a quer para si próprio.

João Tavares
Vila Viçosa, 8 de Novembro de 2011

Imagens da inauguração

Poderá ainda ficar a saber mais sobre a Casa Nobre da Rua de Burgos - imóvel afeto à Direcção Regional de Cultura do Alentejo - cuja Galeria acolhe esta exposição.

 

EMEXPOSIÇÃO

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